sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Praxe

A praxe... mas afinal o que é a praxe?
As opiniões divergem, uns são contra, outros a favor.
Uns têm boas experiências e recordações, enquanto outros não.

Vou dar aqui o meu testemunho...

Sempre fui uma rapariga um pouco tímida, por vezes chegando a ser rude para quem não conheço, e então para aquelas pessoas que não gosto, ainda pior, mas bem não é isso que interessa agora. Posso dizer que só os meus amigos me conhecessem, tenho facilidade em fazer amigos é verdade, mas só esses me conhecem, os outros com toda a certeza não sabem quem eu sou. Sempre me isolei um pouco dentro do meu grupo de amigos, isto é, eles eram tudo para mim, e as restantes pessoas passavam-me completamente ao lado.
Até que chegou a altura de ir para a faculdade. Quando me perguntavam se queria ir à praxe, a minha resposta sempre foi a mesma - Não.
Entre os vários "nãos" e respostas mais elaboradas como "acham que eu vou andar lá feita parva de joelhos no chão e a obedecer a uns gajos quaisquer que não conheço de lado nenhum?", acabei por me conformar que não iria à praxe, mesmo sem saber para qual faculdade iria. Esta era a minha opinião e isso era um ponto assente. 

O certo é que quando chegou a altura, o gosto pelo trajar, foi crescendo, e os meus amigos acabaram por me ajudar a entrar na então chamada Vida Académica.
Um pouco contrariada mas lá fui eu para o primeiro dia. E quando chego à faculdade, foi um choque, mas afinal o que era aquilo? Os trajados, todos simpáticos connosco, a tratarem-nos como se fossemos todos amigos e tal, o certo é que aquilo passou, e claro está, era só um engodo para nos deixar mais calmos, até a praxe começar, e quando começou foi a doer. Entre gritos, e mais gritos o medo foi-se instalando, fomos levados para outro local, onde fomos divididos em grupos - as manadas. Ao contrário das outras faculdades, na minha, não se olham a cursos, não se praxa por curso, somos todos praxados em conjunto, o que desde já acho uma coisa óptima, pois permite-nos conhecer logo pessoas de vários cursos.
O primeiro dia foi o mais duro, não sabíamos nada, não sabíamos as regras, tivemos bastante tempo de quatro (que basicamente é estar de joelhos mas sem os pés tocarem no chão), esse foi doloroso.
Mas cheguei a casa, e acho que o bichinho já estava lá instalado. Porque apesar de ter ido contrariada, nunca pensei em desistir. E todos os dias foram sendo uma surpresa, uma descoberta de uma nova vida.
Nos restantes dias, entre alguns jogos e canções lá nos fomos divertindo. Com muito estudo à mistura, sim nós temos que estudar o "Código de Praxe", e só os bons doutores o sabem de uma ponta à outra. 
 Na quinta-feira (quarto dia), foi o melhor dia, o dia em que fizemos as Justas, as justas são o que as outras faculdades chamam de despiques entre os vários cursos. Perdemos as justas, mas é com orgulho que digo, que adorei perder. Quando soubemos que tínhamos perdido, foi um sentimento de desilusão, de termos desorgulhado os nossos Doutores, que não nos tínhamos empenhado o suficiente, e o certo é que depois das justas, todos nos unimos mais.
Por fim no ultimo dia, foi quando passei de Bicho a Caloira, e foi com muito orgulho que Jurei Curso.
Afinal, para quem sempre tinha dito que não queria saber nada da praxe, acabei por ficar com o Espírito. 

O espírito académico, é algo que ou se tem, ou não se tem.  É algo que não se consegue explicar (eu pelo menos não consigo), porque é algo que se sente. É algo que nos faz dormir poucas horas para estarmos lá a ajudar os caloiros na sua integração, para que no futuro eles façam o mesmo pelos próximos que estão a chegar. É o orgulho por envergar o traje académico pela faculdade, e de dize-lo para toda a gente. 
Eu sinto esse orgulho.

 E por muito mau que aquilo pareça inicialmente, no final de semana os doutores/excelentíssimos acabam sempre por ser nossos amigos. E se não fossem eles, não tínhamos sido integrados na faculdade. E não teríamos logo na primeira semana feito amigos, muitos deles para a vida.

Este ano, vai ser o meu último ano, e é com muita pena que me vou despedir desta vida académica que eu tanto amo. Dediquei-me totalmente à praxe, e espero que as próximas gerações continuem com o nosso trabalho.

Por isso, acho que todos devemos experimentar. 
Nem todos são obrigados a gostar, é verdade. E é preciso experimentar para poder dizer se gosta ou não. 
Mas como diz o ditado, 
não negues uma ciência que desconheces




DURA PRAXIS SED PRAXIS 
(A praxe é dura mas é praxe)

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