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sábado, 28 de setembro de 2013

Caloiros, Praxe e Espírito Académico

Faz cinco anos que fui praxada. 
Antes de entrar para a faculdade, a praxe nunca foi uma coisa que eu desejasse, mas os meus amigos na altura ajudaram-me a enfrentar os meus medos e lá fui eu. Foi das melhores experiências que vivi até hoje. 
É algo que me vai acompanhar para o resto da vida, que vou querer partilhar com os meus filhos e netos. Porque é algo que me ajudou a ser quem sou hoje. 

Este tema gera sempre confusão, alguns porque não vivenciaram coisas boas, outros porque aquilo não era nada do que estavam à espera e outros porque nem se limitaram a experimentar. Eu fui, experimentei e adorei. 

Cada academia tem as suas regras e posso dizer que na minha faculdade a praxe era diferente. Hoje em dia já não sei se é bem assim, mantenho-me com as memórias do que foi outrora, porque agora já não o é. Mas também já passou a minha altura, agora é tempo dos mais novos pegarem naquilo e transformarem-no no que era há quatro,cinco,seis anos atrás. 
Posso dizer que é muito triste fazer a comparação e ver que nada é igual, a dedicação, empenho, a vontade de estar ali é diferente. Os caloiros são diferentes. Os doutores e excelentíssimos são diferentes. Tudo é diferente. E aos poucos sinto que o espírito se vai perdendo por entre os corredores daquela academia. 
E tenho muita pena, de ir à faculdade em plena semana de recepção ao caloiro e quase não os ouvir gritar, não ouvir aquela euforia, aquela alegria tão característica. 

No fundo acabo por perceber que a praxe me desiludiu enquanto doutora, nunca enquanto caloira. 
Enquanto caloira foi óptima. Enquanto doutora, deixa um pouco a desejar. É triste acabar com todos aqueles que tinham sonhos de vir a praxar como quem os praxou, mas por "ordens superiores" têm que ficar de fora, não que não sejam bons a praxar, mas afinal de contas existe a namorada e a afilhada para lá meter no lugar. E assim alguns dos bons vão sendo postos de parte, vão sendo rejeitados, e a praxe inevitavelmente transforma-se, em algo muito triste. E por isso, ainda bem que já não estou na faculdade. 

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