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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Velório.

Vim agora de um velório. E agora mais uma vez descobri um propósito para o blog, aqui vou finalmente expressar parte do que estou a sentir. Nunca tinha ido porque nunca me pareceu necessário, uma vez que depois compareço no funeral, mas este caso era diferente. 
Primeiro que tudo, acho que as pessoas devem ir aos velórios e/ou funerais porque acham que o devem fazer, porque sentem necessidade de tal ... e não porque a prima, tia ou avó dizem que a pessoa deve ir.
Afinal aquilo vai ser a ultima despedida, por muito que seja simbólica, cada um deve fazê-lo à sua maneira. 
Cada um expressa o seu luto como se sente melhor. 
Na minha opinião sempre achei que os velórios eram demais para mim, estar ali a velar o corpo, não. 
Sempre achei que o meu luto era feito no cemitério, durante a cerimónia fúnebre. Onde podia em paz comigo, fazer o meu luto. Felizmente ainda nunca morreu ninguém realmente próximo, e por isso não passei pela dor de perder alguém mesmo muito importante. 

No caso de hoje, a pessoa em questão quis ser cremada, e como eu achei que tinha que fazer uma ultima despedida, achei por bem ir ao velório um pouco. É estranho, é ao mesmo tempo triste e desrespeitoso. 
A área à volta da capela estava cheia, eram pessoas e mais pessoas. Em pequenos grupos, uns choravam, relembravam os momentos passados com a pessoa que acabaram de perder. Mas o que considero desrespeitoso são os risos, as conversas fúteis e as críticas aos outros que se fazem nestas ocasiões. 
Afinal estamos ali a prestar uma homenagem. Afinal existem pessoas ali que estão a sofrer. 

A pessoa de quem me fui despedir é a mãe de um amigo de infância, de um amigo que conheço desde os meus sete anos. Crescemos juntos, e ao longo de toda a vida me lembro da senhora, da sua voz, da sua simpatia, e mais recentemente, da sua doença. O cancro tomou conta dela. E foi terrível ver a degradação ao longo do tempo. E depois é pensar no que eu estaria a sentir se fosse a minha mãe, e chego à conclusão que prefiro nem pensar. 

A mãe do meu melhor amigo, por sua vez era a melhor amiga da senhora que morreu, e ela estava completamente catatónica, não falava, não olhava, não sorria, só chorava. E então dei por mim a pensar como reagiria se ali, naquele momento, estivesse a despedir-me do meu melhor amigo.
E as lágrimas invadiram-me. E a dor foi horrível, só de pensar nesse cenário. 

E finalmente fiz o meu luto, despedi-me da senhora.

Por isso, acho que cada um tem a sua maneira de se despedir. A sua maneira de lidar com a situação. 
E se não vestir preto, se ouvir música, se sorrir, não é por isso que sente menos dor. Não é por isso que não está mal, simplesmente tem uma maneira diferente de reagir à situação. Já vai sendo tempo das pessoas mudarem as mentalidades, porque o que era lei há 50 anos, hoje já não é. 

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